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No cenário mundial, mais especificamente na Europa no século XVIII com o advento da revolução francesa e a ideia do racionalismo cientifico, pensadores como John Locke e Thomas Hobbes dão suas contribuições para o liberalismo e a constituição de Estado como legitimador e garantidor da propriedade privada. Inicia-se no século XIX, através da propriedade e a revolução industrial a divisão social do trabalho, onde proprietários dos meios de produção (matéria-prima, ferramentas e máquinas) e trabalhadores que vendem sua produção de excedentes, segundo Smith, aprimoram suas relações com objetivo de satisfazer suas necessidades cambiais de natureza humana. A apropriação das forças produtivas pela burguesia e a desigual distribuição de tudo que é produzido em sociedade, resulta no processo de dominação do trabalhador para subsistir e no acúmulo de capital pelos donos dos meios produtivos.
Smith, assim como os pensadores citados Hobbes e Locke, estruturam suas teorias em uma natureza humana. Hobbes não acredita na autonomia dos indivíduos por isso surge o Estado para conter a violência criada no estado natural. Locke desperta os princípios liberais de livre concorrência e o Estado mínimo. Smith descreve a natureza humana como propensão a troca e as vantagens da divisão social do trabalho para suprir suas necessidades.

Em divisão do trabalho, da qual derivam tantas vantagens, não é, em sua origem, o efeito de uma sabedoria humana qualquer, que preveria e visaria esta riqueza geral à qual dá origem. Ela é a consequência necessária, embora muito lenta e gradual, de uma certa tendência ou propensão existente na natureza humana que não tem em vista essa utilidade extensa, ou seja: a propensão a intercambiar, permutar ou trocar uma coisa pela outra. SMITH ( 1983, pag.73)


A divisão do trabalho implicou imensas vantagens no modo de produção, dentre elas “ o maior aprimoramento das forças produtivas do trabalho, e a maior parte da habilidade, destreza e bom senso com os quais o trabalho é em toda parte dirigido ou executado, parecem ter sido resultados da divisão do trabalho.” SMITH (1993, pag. 65). O fordismo e o taylorismo são exemplos recorrentes no século XX deste aperfeiçoamento produtivo que aparece de forma detalhada, nas linhas de montagem automotiva da ford e disseminados para outros setores industriais. Aliados as novas máquinas, as técnicas consistem em aumento da produtividade em relação as atividades e organização dos trabalhadores na produção, bem como o aproveitamento das horas trabalhadas.
A organização do trabalho se intensificou com a necessidade da expansão do mercado, que somente teria seu significado nas demandas criadas por este no intuito de viabilizar o consumo da produção excedentes dos trabalhadores. Smith defende que os donos do capital por seus investimentos deveriam ter um retorno pelos salários, estoque e um patrimônio maior que o inicial. Esquece que, segundo Marx, e ai esta a diferença da economia como ciência social, prevê os fenômenos sociais, neste caso a divisão do trabalho, resulta na divisão de classes com interesses contraditórios. Smith está focado na máxima produtividade pela relação da organização do trabalho, enquanto Marx identifica a dominação pela força de trabalho mudanças nas interações sociais de prover a própria vida.


A produção capitalista, que é essencialmente produção de mais-valia, absorção de mais trabalho, produz, portanto, com o prolongamento da jornada de trabalho não apenas a atrofia da força de trabalho, a qual é roubada de suas condições normais, morais e físicas, de desenvolvimento e atividade. Ela produz a exaustão prematura e o aniquilamento da própria força de trabalho. Ela prolonga o tempo de produção do trabalhador num prazo determinado mediante o encurtamento de seu tempo de vida. MARX (1983,pag. 211 e 212.)


O mercado e suas flutuações com base no preço efetivo “afetam tanto o valor como a taxa dos salários e do lucro, conforme o mercado estiver saturado ou em falta de mercadorias ou de trabalho (trabalho já executado ou trabalho a ser ainda executado).” SMITH(1993, pag. 113). O modo especulativo dos monopólios concentram as variações das demandas efetivas sempre em baixa, para que a escassez mantenham os altos preços e consequentemente um maior lucro. O domínio do mercado e a concentração de capital são a politica da derrubada da concorrência em beneficio da centralização do poder econômico e social. A fixação dos salários dos trabalhadores consiste em acentuar as diferenças entre estes e os donos dos meios de produção, pois enquanto o salário não sofre variação, os produtos variam conforme a demanda efetiva do mercado e em consequência o poder de compra do trabalhador é reduzido. As contradições aparecem na sujeição do trabalhador a um salário de subsistência, comparado a um “certo risco” de investimento dos empresários que dominam as regras econômicas do mercado.
A dominação do mercado pela ciência econômica antecede a dominação no âmbito social e politico, dos fenômenos de desigualdade e submissão ao sistema capitalista. A divisão do trabalho cria ordem social, segundo Durkheim, os indivíduos cada qual com sua função, se completam por meio das necessidades da sociedade como todo, “de fato, cada órgão aí tem sua fisionomia especial, sua autonomia, e contudo a unidade do organismo é tanto maior quanto mais acentuada essa individualização das partes. Devido a essa analogia, propomos chamar de orgânica a solidariedade devida à divisão do trabalho.” DURKHEIM (1999, pag. 108). Esta análise não condiz com a real situação do trabalhador, o relevante contexto, por exemplo, na revolução francesa com trabalhadores morando em lugares insalubres, barracos improvisados e um grande contingente de indivíduos que se deslocavam das áreas rurais para os grandes centros urbanos. O próprio exército de reserva de qual Marx descreve e muito bem, configura uma das condições para que se mantenha o baixo salário.
A economia como uma ciência exata parece estar em exercício da compreensão dos condicionantes dos resultados de produção e mercado, em beneficio do máximo rendimento, seja em horas trabalhadas (mais-valia absoluta) ou na otimização do processo produtivo das maquinas (mais-valia relativa) ou ainda nas variações e especulações criados pelos monopólios, esquecem-se dos fenômenos sociais criados e legitimados, a desigualdade e o caos necessários para manter o processo produtivo. A economia, ciência social, deve como principal linha de estudos, prever tendências e impactos sociais, econômicos e políticos que se relacionem com o mercado, produção e trabalho, com a preocupação e extremo rigor cientifico de identificar as relações sociais que permeiam para além dos conceitos do campo econômico, os conflitos e contradições que são determinantes para a vida em sociedade.

BIBLIOGRAFIA:

DURKHEIM, Émile. Da divisão social do trabalho. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

MARX, Karl. O capital: crítica da economia política. São Paulo: Abril Cultural, 1983. V1.

SMITH, Adam. A Riqueza das Nações: Investigação sobre sua natureza e suas causas. São Paulo: Nova Cultural, 1993.

[ Modified: Tuesday, 25 August 2020, 8:38 PM ]
 
Perfil moodle Professor de Sociologia Marcos Aurélio
by Marcos Aurelio - Monday, 10 August 2020, 11:21 PM
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As ciências sociais tendo por tarefa conciliar a teoria e a prática, encontra dificuldades nas academias universitárias brasileiras. Problemas tão graves capazes de deslocar o cientista para a prisão do seu próprio intelecto. Não obstante seu objeto de estudo pode trazer suas principais dificuldades, seus próprios valores e conhecimentos colocados a prova no exercício da cidadania. A árdua tarefa de separar ou unir o conhecimento cientifico do conhecimento vivido de militante, questionador do contexto social que o permeia, coloca-nos em uma inconsciência frequente. Quando me vi envolvido com questões como: para que serve a ciências sociais? Quais os compromissos de um cientista? Abster-se de sua opinião no âmbito da sociedade implica realmente em um pesquisador mais ético e aplicado no campo da ciência, já que o objeto de seus estudos está no seu próprio contexto? Perguntas como estas me instigaram a conhecer o campo cientifico no sentido de encontrar respostas para a razão de estarmos fazendo ciência e como opera o conhecimento do cientista. Importante perceber que Florestan Fernandes foi um grande incentivador dos intelectuais nos difíceis períodos da ditadura até a redemocratização. Este artigo procura traçar um caminho para soluções dos problemas entre teoria e pratica, onde demonstra em três partes: o primeiro, uma abordagem epistemológica no sentido da teoria da ciência, dando contornos essenciais dos problemas científicos; o segundo, do cientista ao militante, como opera o conhecimento; e o terceiro, a ciência como mudança social. O objetivo principal é construirmos uma discussão e trazer o sociólogo para o seio da sociedade, onde acontece essa discussão. Não custa lembrar que uma visão mais focada do cientista, pode ser mais privilegiada do que a visão do senso-comum.

 

Teoria da ciência: problemas epistemológicos.

            Por que tratar de teoria da ciência neste artigo? A epistemologia como investigadora do fazer cientifico, traz os problemas do conhecimento e como apreendemos este conhecimento. O maior problema neste artigo é onde está a separação da ciência e do militante já que reside no mesmo construto intelectual (considerando o cientista e o militante como partes integrantes do mesmo individuo). O que intriga nos discursos dos intelectuais são: primeiro a imobilidade do pensamento diante das enormes questões sociais; segundo as atrocidades cometidas em nome da ciência como resposta a esta imobilidade. Em uma entrevista Florestan Fernandes critica o isolamento do cientista:

 

 “Uma grande parte dos que se formaram no exterior, especialmente em ciências sociais, foi educada e treinada segundo a filosofia da “neutralidade ética”. Por essa razão atuam como se fossem cientistas de laboratório, acham que não se devem comprometer e que o trabalho deve ser, em essência, objetivo. E é uma massa que foi educada nos Estados Unidos e na Europa para se comportar assim, valorizar um erro que considero primário. Weber, que era um liberal, não um radical ou um revolucionário, dizia que o cientista não deve se confundir com o propagandista, mas também dizia que a ciência é incompatível com a irresponsabilidade. ” Fernandes (entrevista)

 

             Não seria nenhum absurdo dizer que os intelectuais vêem a si próprios como cientistas isolados do mundo em que vivem, um teórico sem finalidade prática. Enquanto o militante é a ação pondo em prática a razão, seus propósitos não levam em conta o pensamento, mas a prática criada pela situação. Para esses críticos a opinião do cientista como construção social impede a suspensão dos seus valores na pesquisa e uma aplicação cientifica excessivamente dominante, “como a única verdade a ser seguida”.

            A confirmação das teorias por meio da experiência, acarreta transtornos teórico/prática, em se tratando desta relação intrínseca da ciência apreendendo o fato ou fenômeno. Como pode o pesquisador usar de sua experiência cientifica para exercer influencia na opinião publica? “Se temos uma boa teoria cientifica, isto é, uma teoria instrumentalmente confiável, que permita predições corretas dos fenômenos, podemos também utilizar tal teoria para dar explicações desse fenômeno e de outros que possam estar relacionados com ele. ” Dutra (2004, p. 22). As explicações cientificas tem relação segundo Dutra com a teoria e o mundo. Encontramos uma finalidade da ciência ou uma base por onde a ciência se orienta, não a reduzindo em uma única finalidade, e também não objetivamente solucionado nosso problema. Mas discernindo a ciência como explicação do mundo. Se a ciência consiste na pesquisa de nossa realidade, nossa sociedade, nosso mundo, o próprio ato de pesquisar é uma intervenção, pois a abordagem cientifica corresponde a mudanças. Temos um exemplo muito claro na antropologia, mas especificamente a maneira que se faz uma etnografia.       O pesquisador em uma tribo indígena aprende os costumes dos índios, e em um contato recíproco a presença do pesquisador com seus hábitos e costumes aguçam a curiosidade da tribo. Há uma troca mesmo que involuntária e inconsciente, do sujeito e do objeto. O que podemos considerar destes caminhos tortuosos por onde a ciência insiste perpassar? Se a ciência é condicionada a explicar o mundo através das teorias, e quem faz ciência está neste mundo, então a ciência é um processo de realimentação, a partir das buscas de suas respostas o cientista causa mudanças no mundo e em conseqüência o mundo precisa de explicações para novos fatos e fenômenos criados. Aqui se encontra esboçado a relação do cientista e seus objetos de pesquisa, a sociedade, a cultura e a política, o mundo onde nasce o pesquisador é o mesmo mundo sendo sua obra de pesquisa. Como separar o pesquisador com suas crenças e valores do objeto de pesquisa? Mesmo com uma relação estabelecida entre sujeito e objeto, teremos que salientar que o cientista nem sempre foi um cientista, seu conhecimento do mundo não se deu somente pela ciência, portanto é preciso diferenciar ciência da não-ciencia para não equivocarmos nos resultados de nossas opiniões. O rigor cientifico podem afastar-nos das imprecisões de juízos de valores e ações dogmáticas. O fazer ciência com seus métodos e instrumentalização tem que ser compreendido como um saber construído com coerência teórica, com bases conceituais e pesquisas empíricas. Nada tem haver com filosofia, metafísica e o senso comum, esta ultima se refere a opinião imediata, sem argumentos plausíveis para a sustentação daquela.

            O que difere a ciência das outras áreas do conhecimento são a observação dos fatos e fenômenos, criando hipóteses e em seguida os testes e verificação das hipóteses. A própria literatura cientifica, os métodos e instrumentos de pesquisas.

            Mesmo que a ciência desencadeie muitos problemas para sua construção, ainda assim estaremos envolvidos com procedimentos que serão submetidos a testes e a possível comprovação. É totalmente notório que o rigor científico não depende somente do método, mas também do cientista como sujeito da produção científica.

 

Do cientista ao militante: como opera o conhecimento

            Para Florestan Fernandes o conhecimento de mundo, antes mesmo de entrar em uma universidade fez parte do intelectual que o projetou para o Brasil. Sua vida tornou seu olhar sociológico mais apurado, pois questões relativas ao seu cotidiano precediam seus estudos. O contexto social que Florestan estava inserido, “encontravam dentro da cidade um nicho no qual mantinham suas pequenas cidadelas culturais e seus diferentes padrões de rusticidade. Italianos, portugueses, espanhóis, gente do interior e o imenso rol dos pobres não escondiam a sua humanidade. ” Fernandes (1994, p.125). A sociologia de Florestan Fernandes estava embasada na construção de uma sociologia brasileira, contrariando os aspectos de colonizados e no seu importante papel de intelectual na criticidade aos pensadores estrangeiros.

            Na história de vida de Florestan vimos o conhecimento do mundo em que viveu somar com o conhecimento do intelectual e posteriormente a totalidade do conhecimento ser utilizado na proposta de militante. O que quero colocar em relevo é o conhecimento como algo inseparável do ser. Florestan não pode separar seu conhecimento de intelectual do conhecimento de militante ou vice-versa. Ao mesmo passo que não pode isolar o intelectual do militante, separando como duas coisas distintas uma da outra. Seria extraordinário o cientista sem opinião, sem uma contribuição social e política, cruzar os braços para as questões mais importantes para a vida em grupo.

 

 O intelectual não deve deixar as massas abandonadas às manobras que aqui e no estrangeiro estão fazendo, visando desviar a atenção do povo do aproveitamento da guerra e do próprio massacre de seus interesses e reivindicações, facilitado às vezes por certos escritores. Os intelectuais não podem deixar de discutir concretamente as condições de vida do povo brasileiro, se quiserem conseguir qualquer coisa prática. Fernandes (1945)

 

             Para o militante não seria tão dramático quanto o intelectual. O militante a partir de sua praticidade usa suas ações em detrimento de suas causas, suas escolhas. Mas convenhamos o militante com a ampla capacidade de pensar, conseguiria articulações bem melhores, assim como resultados vindos de uma orientação cientifica. Não quero aqui colocar a ciência como verdade única e a grande solucionadora de problemas. O que compete falar é um individuo com formação cientifica com seu amplo campo de visão, difere de outro cujo se encontra na alienação social das reivindicações. Mas importa sabermos que o cientista necessita da prática do militante e o militante precisa da teoria do cientista.

 

O militante Florestan Fernandes tinha uma forma bastante peculiar de explicitação de sua atuação: ele próprio se definia como sociólogo e militante socialista. Mas era sobretudo como acadêmico, como docente e como pesquisador da sociologia, a qual ele definia, à moda clássica, como a “consciência crítica da sociedade”, que Florestan estabelecia a ponte da teoria com a pratica. Camacho (p.69)

 

            O que está em jogo é o rigor cientifico de um lado e a prática vivência de militante de outro. Uma ciência neutra seria ideal, mas sobre todos os problemas que foram retomados pela epistemologia, estaríamos caminhando em um campo perigoso. Como havia mencionado anteriormente a realimentação entre ciência e militante traduz um conhecimento que vai do teórico ao prático e do prático ao teórico. As pesquisas no campo social, político, econômico e cultural ajudam a sociedade compreender a si mesma.

 

Conclusão:

            Este caminho que pretendi traçar, entre ciência e militância, teoria e prática, abre questionamento para futuros estudos e desmistifica a apatia intelectual diante dos problemas do mundo. Aqui vimos que não serve de argumento o cientista isolado do seu mundo sob a acusação de tecnocrata ou abster-se de seus argumentos intelectuais sobre o julgo do poder da ciência. O que incide sobre a ciência são os juízos de valores e suas crenças como verdade única. Isso pode ser corrigido com o rigor cientifico, mesmo porque não se faz ciência sozinho. A produção cientifica é orientada e divulgada no campo acadêmico. Em seguida são corrigidas pelo amplo debate e reuniões que precedem.

            O militante por sua vez, impõe sua pratica a realidade social. Os movimentos sociais são exemplos da dinâmica das mudanças que influíram e influi a sociedade. Compõe as relações de forças entre Estado e Sociedade, conquistando o espaço das mulheres, dos negros e da classe proletária. Ainda depende de muita luta e conquista para reparar as injustiças que foram impostas pelos governos autoritários. Esta prática deve ser auxiliada pelos intelectuais, construindo uma visão recíproca de intervenção na sociedade, resultado de uma democracia de inclusão.

 

 

Referências

 CAMACHO, Timóteo. Florestan Fernandes e as ciências sociais no Brasil. [sol.]: [s.d.].

 

CANDIDO, Antonio. A condição de sociólogo. In: CANDIDO, Antonio. Florestan Fernandes. São Paulo, Fundação Perseu Abramo, P. 9-16.

 

DUTRA, Luiz Henrique de Araujo. Introdução a teoria da ciência.    2. ed Florianópolis, SC:  Ed. da UFSC,  2003.   150p.

 

 

FERNANDES, Florestan. “Ciências Sociais na ótica do intelectual militante”. Estudos Avançados,São Paulo [USP], v. 8, n. 22, p.123-138, set-dez, 1994.

 

 

FERNANDES, Florestan. Que tipo de Republica? São Paulo:  Brasiliense,  1986.

 

 

FERNANDES, Florestan. A responsabilidade da inteligência. São Paulo: Folha da Manhã, 1944. Disponível em : <http://lastro.ufsc.br/?page_id=1299> . Acesso em: 28 de nov. 2010.

 

 

FERNANDES, Florestan. As tarefas da inteligência. São Paulo: Folha da manhã, 1945. Disponível em:<http://lastro.ufsc.br/?page_id=1299> . Acesso em: 28 de nov. 2010

 

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FERNANDES, Florestan. Entrevista de Florestan Fernandes. São Paulo: Folha da manhã, sd. Disponível em: <http://lastro.ufsc.br/?page_id=1299>  . Acesso em : 28 de nov. 2010.

[ Modified: Monday, 10 August 2020, 11:21 PM ]
 
Perfil moodle Professor de Sociologia Marcos Aurélio
by Marcos Aurelio - Monday, 3 August 2020, 11:23 AM
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    Ao longo do tempo o conceito de ideologia ganhou variadas versões, sentidos e significados, porém tornou-se um campo de estudo de difícil acesso diante da essencial abordagem espiritual do conhecimento, percebendo seus desdobramentos e impactos nas relações sociais, políticas, econômicas e psicoculturais. A ideologia internalizada produz e reproduz efeitos que contribuem para a dominação, a jaula psicológica emanada pelos poderes constituídos pelo campo em que atuam, ou a emancipação crítica do ser humano na constatação dos efeitos desta mesma ideologia, que precede escolhas muito mais reais e contextualizadas em relação a consciência coletiva que sofre com a influência ideológica. Vamos fazer uma psicanálise social leitor? Deixamos vir à tona o que até então estava inconsciente, tornando consciente e crítico nossas possíveis escolhas e oportunidades.

            Para entender o espírito do conhecimento e seus desdobramentos na materialidade social é importante apreendermos as nuances do conceito de ideologia, historicamente o uso deste como poder legitimo ensejou vários sentidos e significados, influenciando uma grande massa de pessoas em um dado contexto e tempo. Quando falo espirito do conhecimento me refiro à ideologia como estudo imaterial que atinge a vida social sem ser percebida, pois as ideias, perspectivas, expectativas e representações estão no plano do pensamento e como todos devem saber, os sentidos humanos não conseguem reconhecer, senão por aparato crítico com fontes de conhecimento refinadas cientificamente.

            Que tal aprendermos sobre ideologia para identificar a que tipo de influencias estamos submetidos? A realidade pode ser vista de uma maneira mais consciente e menos involuntária, como se estivéssemos guiados o tempo todo à caminhos e lugares que não escolhemos. O método psicanalítico ajuda-nos entrar no inconsciente ideológico e através de atitudes conscientes retomar o controle das decisões que nos cabe. Já parou para pensar que a ideologia pode ser um espirito obsessor decidindo e escolhendo por você?

            A ideologia como campo de estudo surgiu no século XIX na França por um filósofo chamado Destutt de Tracy. Inicialmente estes estudos envolviam o surgimento dos pensamentos e ideias produzidos nas áreas da física e da química, a vontade e o corpo biológico têm fundamento nas melhores ideias para as necessidades básicas da vida sem se perder em especulações e pensamentos que desviam do real funcionamento natural do ser humano. Neste período procuravam estabelecer relações diretas entre as ideias e pensamentos com a materialidade do corpo biológico, uma fisiologia das ideias. Os ideólogos como foram chamados, Tracy e seus adeptos por Napoleão Bonaparte, viram seus estudos sobre ideologia se tornarem pejorativos, depreciativos, significando alguém que fica no plano das ideias e não consegue chegar numa realidade concreta, ou seja, foram acusados por Napoleão de estabelecer um pensamento que servia como base para todos ao invés de o conhecimento humano fosse estabelecendo a cada contexto e tempo, suas relações sociais, políticas e econômicas.

            Nesta inversão de fatos e métodos, Karl Marx dá um caráter cientifico para o conceito de ideologia, mas especificamente no livro A Ideologia Alemã, onde aborda a falsa consciência e o pensamento dominante em cada período histórico. É nesta obra que Marx não somente inverte a dialética de Hegel, que compreendia os seres humanos como espíritos (pensamento) a intervir na produção social, cultural e econômica de concretude material, mas também relaciona intrinsecamente o processo de consciência a própria produção humana e este processo, consciência e produção humana, como explicação da realidade, existência e condição social dos indivíduos.

            Você deve estar se perguntando, o que é ideologia afinal?!!! São as ideias, a maneira e modo como nos relacionamos socialmente, ao mesmo passo nossas relações produzem coletivamente representações, ou seja, pensamentos e atitudes que reforçam nossas próprias relações. Se analisarmos que um pensamento disseminado num grupo social ou em toda uma sociedade, encontra êxito somente pela materialização no processo de produção social e este pensamento será reforçado pelas práticas sociais que produziu, encontramos aí uma ideologia, pois não basta que as ideias fiquem no plano teórico, é necessário o consentimento das ações sociais e a condução na estrutura social da ideologia implementada. A incorporação das ideias a vida, faz que indivíduos vivenciem situações e condições sociais, compreendam de forma singular o contexto que estão imersos.

            Terry Eagleton em seu livro Ideologia Uma Introdução traz questionamentos sobre o conceito que envolve poder, consciência, verdade e falsidade através de uma epistemologia etimológica discutindo o significado desses termos e como são utilizados. Para ele existe seis maneiras de definir ideologia:

1º Um processo material neutro de produção de crença e valores na vida social de cunho antropológico.

2º ideias e crenças que expressam as condições e experiências de um grupo social. Visão de mundo

3º Promoção e legitimação aqui a questão envolve os interesses, claro que interesses reconhecido em um campo de atuação da ideologia.

4º Promoção e legitimação setoriais, restrita a um poder dominante produzindo consenso e cumplicidade.

5º Ideias e crenças que legitimam grupos de interesses ou dominantes mediante dissimulação da realidade.

6º Crenças falsas e ilusórias oriundas da estrutura material do conjunto da sociedade.

            De uma maneira mais geral a filósofa Marilena Chauí define ideologia sob três aspectos: anterioridade prescreve o modo de agir, pensar e sentir; generalização: com objetivo de produzir consenso entre os indivíduos a generalização é utilizada como interesse de todos; Lacuna: a ideologia se consolida através de omissão e silêncio, oculta sua origem para não perder sua eficiência e propósito.

            É muito importante entendermos que a ideologia pode ser neutra, pois as crenças e valores socializados traduz a cultura e a visão de mundo de uma sociedade, ou dominante, reproduz interesses de grupos ou classes de dominação. Sociedades de relações mais simples como a tribal indígena tende a expressar interesses comuns a todos envolvidos, enquanto sociedade mais complexas onde o contingente populacional é maior, tende a consolidação de ideologias dominantes pela disputa de interesses e o ocultamento da origem ideológica pela difícil compreensão das múltiplas relações estabelecidas e todo o processo de produção social.  

            Na psicanálise social quando adquirimos conhecimentos e utilizamos na compreensão de nosso contexto, estamos fortalecendo nossa consciência e identidade, consolidando nossa crítica, aportando em fundamentos da realidade que sustentam as condições humanas diante da estrutura social. O inconsciente ou incognoscível, resultado da ideologia dominante, expressa através de confusões, desconhecimento e generalizações, encontra no ato de desinformar a legitimação da alienação, consenso social e a contraditória defesa dos interesses de quem nos domina. Utilizemos este conhecimento sobre ideologia como ferramenta analítica do cotidiano com o objetivo de compreender a realidade social e criar oportunidades adequadas à nossas escolhas.

 

Referências:

- CHAUÍ, Marilena. O que é Ideologia. 2ª ed. São Paulo: Ed. Brasiliense, 2006

- EAGLETON, T. Ideologia. Uma Introdução.2ª ed. São Paulo; Unesp/Boitempo, 2009.

- FROMM, Erich. Conceito Marxista do Homem. 8ª edição, Rio de Janeiro, Zahar, 1983.

- LÖWY, Michael. Ideologias e ciência social: elementos para uma análise marxista. São Paulo: Cortez, 2008.

 

[ Modified: Monday, 3 August 2020, 11:23 AM ]
 
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1-      Introdução:

            A antropologia como campo da ciência aborda temas, teorias e conceitos com uma especificidade e sensibilidade que a torna singular entre as ciências sociais. A Práxis metodológica é aplicada, questionada e situada na produção antropológica, permite aos pares e leitores a criticidade das condições, influências e interferências do autor, ao mesmo passo o rigor do método e técnicas empregadas na pesquisa se mantem balizador do trabalho científico.

            Uma das dificuldades enfrentadas pelas ciências humanas é a relação entre o pesquisador e seu objeto de pesquisa, pois o estudo envolve seres humanos e possivelmente o contato, as relações, as interações e os resultados, não gozam de uma neutralidade científica. É nesta relação entre pesquisador e objeto que a antropologia se difere da sociologia e da ciência política, a abordagem etnográfica e a observação participante aproximam e distanciam (sensibilidade antropológica) o que nos parece aspectos exóticos e/ou familiares.

            A cultura é considerada um conceito necessário e importante para as pesquisas antropológicas, na própria delimitação do campo de atuação, o antropólogo retoma, refina e discute este conceito. Essencialmente o estudo da cultura traduz conceitos de etnocentrismo, relativismo e alteridade para expressar as variações ou padrões de comportamentos, porém problematizar a maneira, modo que se analisa uma cultura, espera-se identificar as referências sem hierarquizar conhecimentos. Uma postura oposta a esta, traria depreciação a nosso objeto e consequentes problemas técnicos e metodológicos, impossibilitando a concretização da pesquisa.

            Com base nos conceitos supracitados é possível compreender uma cultura diferente em relação a nossa e ainda manter-se crítico como pesquisador? Quais implicações epistemológicas do uso destes conceitos para a pesquisa antropológica? A questão central neste trabalho é entender como conceitos de cultura, relativismo, etnocentrismo e alteridade, podem contribuir para relação entre pesquisador e objeto da pesquisa.

 

2-      Retomando Conceitos:

            A cultura como conceito central da antropologia passou por várias ressignificações ao longo da história desta ciência. Uma definição inicial e geral do conceito de cultura foi desenvolvida por Edward B. Taylor onde foi depurada por autores das várias escolas antropológicas posteriormente. Produto e produtor da cultura, o homem como ser em constante transformação e movimento, não pode ser analisado de forma estática, objetiva, fora de seu contexto.

            As orientações e sentidos dos indivíduos são compreendidos na intrincada malha de ações tecidas pelos próprios indivíduos, enquanto pesquisador da cultura, cabe ao antropólogo, decifrar os códigos que sustentam as relações de um dado grupo ou sociedade, por tanto, a intencionalidade e o recebimento de uma ação por interlocutores devem ser interpretadas em relação a cultura a qual está imersa. Para Geertz (1978, pág. 15):

O homem é um animal amarrado a teias de significados que ele mesmo teceu, assumo a cultura como sendo essas teias e a sua análise; portanto, não como uma ciência experimental em busca de leis, mas como uma ciência interpretativa, à procura do significado.

 

            O conceito de cultura é abordado sobre várias vertentes antropológicas, nos casos acima, o primeiro uma abordagem de delimitação do campo científico, enquanto o segundo uma abordagem metodológica. Devido à complexidade de variações e funções desempenhadas, a cultura é utilizada como extensão e ampliação do campo antropológico na interação com outros campos científicos como a biologia. Segundo Laraia (1986, pág.19):

A espécie humana se diferencia anatômica e fisiologicamente através do dimorfismo sexual. Mas é falso que as diferenças de comportamentos existentes entre pessoas de sexos diferentes sejam determinadas biologicamente. A antropologia tem demonstrado que muitas atividades atribuídas às mulheres em uma cultura podem ser atribuídas aos homens em outra.

 

            A cultura como campo de pesquisa foi tratada de forma generalizada e, não obstante de forma relativizada. Equivocadamente a generalização refletida pela escola antropológica evolucionista a comparação entre culturas, onde o desenvolvimento e progresso de uma cultura estava atrelada a outra. Por tanto uma cultura era o ponto de partida para chegada em outra cultura mais desenvolvida.

            Esse pensamento antropológico foi explicado com o conceito de etnocentrismo, ou seja, explicação de uma cultura com base e análise de nossa cultura. Um tratamento enviesado que serviu de base para o eurocentrismo. Aqui no Brasil autores como Gilberto Freyre tentavam comprovar para o mundo, que a miscigenação, matriz étnica brasileira, não influenciava negativamente no desenvolvimento do país, já que as ciências biológica e física divulgavam para o mundo as teorias eugênicas, que consistiam em explicações biológicas em detrimento da cognição. Por exemplo, quanto mais branco o indivíduo mais inteligente seria, indicaria pureza, sem mistura, enquanto o negro, impuro, era considerado limitado não tenderia ao progresso da civilização. “ Comportamentos etnocêntricos resultam também em apreciações negativas dos padrões culturais de povos diferentes. Práticas de outros sistemas culturais são catalogadas como absurdas, deprimentes e imorais. ” Laraia (1986, pág.76)

            A visão etnocêntrica permitiu através da antropologia, perceber que as diferenças culturais não poderiam ser compreendidas em comparação umas com as outras, mas relativa à sua própria cultura. Os europeus não podem conceber que sua cultura é mais desenvolvida que país orientais como a China, comparando sua gastronomia e hábitos alimentares que lhes possa causar espanto. A cultura como parâmetro de referência para outras culturas abona as generalizações e desempenha um papel totalitário de imposição entre grupos, sociedades e países, abrindo caminho para atrocidades sobre a humanidade.

            A necessidade de entender grupos por suas próprias culturas, modo de pensar e agir, hábitos gerados no seio destes grupos, em oposição ao conceito de etnocentrismo passou-se a tratar a cultura com o relativismo. Inicialmente a escola psicológica behaviorista abordava a cultura como respostas estimuladas pelo meio ambiente. Nisto elegia fatores biológicos e geográficos que transcendiam os aspectos sociais e culturais. As singularidades destes dois últimos aspectos não tinham autonomia para explicação das relações e comportamentos humanos. Então para o behaviorismo a cultura e o social eram respostas que dependiam de estímulos do meio ambiente. 

            A antropologia passa a defender a autonomia do campo cultural e relativizar as explicações na própria cultura estudada, questionando os determinismos biológicos e geográficos. Para Matta (1991, pág.47) :

A visão do social como plano capaz de formar-se a si próprio, tendo suas próprias regras e, por tudo isso, possuindo um dinamismo especial que é vantajoso para o observador interpretar e compreender nos termos de suas múltiplas determinações e ambiguidades.  

 

 Parece que compreender uma cultura por ela mesmo é imprescindível, ouvir o outro como informante de sua cultura, seu comportamento, seu pensamento, suas orientações e sentidos, porém como relativizar tudo? E as situações de privações e violências? A dominação? O antropólogo imerso nestes grupos ou sociedades busca a compreensão daquilo que mobiliza as pessoas ou privam-nas, deve estar atento as suas categorias de análise para que não sobreponha as categorias dos nativos.

            Na pesquisa antropológica o conceito de alteridade é muito importante na aproximação/afastamento entre pesquisador e objeto da pesquisa (o outro). A percepção do outro sobre nós reflete as relações que são estabelecidas, dialeticamente a nossa percepção sobre o outro denota a sensibilidade do antropólogo enquanto pesquisador. “A alteridade se constrói na tensão entre esses dois pólos — o muito próximo que se confunde consigo mesmo e o muito distante que se apresenta como uma espécie inteiramente nova, de uma cultura irredutível àquela do pesquisador.” Fonseca (2004, pág.211)

            O uso de classificações atribuídas por categorias de análise embasada na cultura do pesquisador pode resultar na assimilação do grupo pesquisado destas classificações e implicar em mudanças identitárias. Por exemplo uma tribo indígena percebida como povo atrasado explicada por heranças reivindicatórias e inseridas nos costumes de outros grupos brasileiros como compensação.

 

3-      Implicações Epistemológicas:

            Apesar das dificuldades da aplicação dos conceitos de cultura, etnocentrismo, relativismo e alteridade para compreensão do campo antropológico, o tratamento científico se faz necessário numa antropologia da antropologia, permitindo assim, entender os limites, readequações teóricas, atribuições de métodos e técnicas necessárias, vislumbrando o diferencial antropológico, o fazer científico.

            Pensar que os conceitos aqui abordados cumprem uma interação dialética entre a ciência e a epistemologia, pois ao mesmo passo de inferência sobre o objeto pesquisado incide diretamente a produção científica, questionamentos sobre a metodologia empregada através dos próprios conceitos aplicados. Intrinsecamente a aproximação e o distanciamento (sensibilidade antropológica) entre o pesquisador e o grupo pesquisado se movem em direção aos objetivos da pesquisa.

            A complexidade da abordagem antropológica na pesquisa requer contextualização e precisão na aplicação dos conceitos. O afrouxamento da crítica no âmbito do rigor científico e a imprecisão dos conceitos adulteram e distorcem os resultados. O isolamento ou a correlação conceitual inflexível não contribui para o êxito da pesquisa.

            Os conceitos de cultura, etnocentrismo, relativismo e alteridade contextualizados, correlacionados, conforme o objetivo que se propõe a pesquisa, pode acessar o campo estudado demonstrando problemas, relações epistemológicas e desobstruir o caminho que corrobora a práxis antropológica.

 

4-      Considerações Finais:

            Os desafios da ciência antropológica, ou seja, as contribuições e dificuldades deste campo, insere na área das ciências humanas, problemáticas e relações com outras áreas, como ciências da natureza, expandindo seu campo de atuação e relacionando fatores de ligação com outras ciências.

            A sensibilidade antropológica se configura através dos conceitos de cultura, etnocentrismo, relativismo e alteridade como precisão metodológica através das técnicas etnográfica e observação participante, de acordo com o contexto de pesquisa em um movimento contínuo e dialético, entre o antropólogo e seu objeto.

            Estudar outras culturas são viáveis diante da disposição de enfrentar todos problemas que a pesquisa antropológica submete o pesquisador. Mobilizar conceitos, atingir a sensibilidade antropológica, acessar conhecimentos produzidos na complexidade da trama cultural advém da práxis desta ciência, difícil, mas compensatório pela aquisição dos resultados.

5-      Referências Bibliográficas: 

- DA MATTA, Roberto A. Relativizando: uma introdução à Antropologia Social. 3.ed. Rio de Janeiro: Rocco, 1991.

-  GEERTZ, C. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: Zahar,1978.

- FONSECA, Claudia. 2004. “Alteridade na sociedade de Classes”. Família, fofoca e honra. Etnografia de relações de gênero e violência em grupos populares. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2004, p.209-228

- LARAIA, R.B. Cultura, um conceito antropológico. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1986.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

[ Modified: Saturday, 25 July 2020, 9:01 PM ]